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Mostrando postagens com marcador Contos do Bêbado Orador. Mostrar todas as postagens
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domingo, 1 de agosto de 2010

Tela "H" - Álcool, Prazer e Morte

Fui até a cozinha onde aproveitei para terminar o restante do Gim, observei cada detalhe do local e então localizei a arma do crime.

Andei lentamente até o quarto, observando com apreensão cada quadro que havia no corredor. Tão ridículos quanto a mentalidade da intitulada dona!

Ao chegar ao quarto escuro e abafado, você estava lá, atirada em sua cama, tranquilamente descansada de qualquer medo, de qualquer problema. Totalmente embriagada e despida. Estava debruçada em lençóis brancos, ao teu lado, uma mancha e a garrafa de Chateau Leoville emborcada sob o travesseiro.

Virei-a de barriga para cima, deixando a mostra toda beleza da parte frontal de seu corpo. A luz fraca do seu abajur adaptado do Séc. XVIII clareava teu rosto tenro e á fazia parecer... Mais... Bela, mais meiga.

Teu quadril parecia desenhado pelas mãos de um artista. Você naquela cama, naquela posição, parecia um quadro. Não os teus quadros do corredor. Mais um quadro lindo, digno de apreciação e suspiros diários!

Não podia mais me demorar, então, agarrei a faca com as duas mãos e levantei-a bem alto, como se fosse rasgar o teto. Em seguida desferi o golpe mortal! Uma apunhalada em meio ao ventre, ao teu ventre. E dali esvaio-se toda a vida contida naquela bela pintura, agora parecendo mais com cenas que eu imaginava ao ler contos policiais.

Já não se podia diferenciar a mancha de vinho da poça vermelha que se formou momentos depois. Apreciei por mais dois ou três minutos meu belo quadro de morte e então me pus a desfilar pelas ruas, carregando comigo meu “pincel prata”, que agora era de cor vermelho sangue.


No meu pensamento:


"... e, aliás, você não teria coragem de se desfazer de mim..."



Contos do Bêbado Orador - Tela "H" - Álcool, Prazer e Morte - Por Dustin Maia.

sábado, 24 de julho de 2010

Incorente

- Não é assim Raquel! Só porque alguém te ama, não quer dizer que à tenha na palma das mãos. Eu não aceito que a nossa relação continue assim, eu te mostrei meus sonhos e você... Você só tem pisado em mim! Não é possível que exista alguém como você... Mais o que eu estou dizendo? Você é bem real; assim como é cruel! E digo mais... Não quero mais te ver! Não quero mais ouvir sua voz!

. . .

Fez-se de silêncio o vazio do meu quarto; sem ela... As paredes sem pintura, o assoalho empoeirado, o meu amor... Esse morreu quando queimei as nossas fotos de Dezembro.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Christoffer Pee. O vôo da meiga mentira



Uma família de Damas da qual uma delas te agarrou, era um triste poeta e num instante feliz voou. Voou nas asas da mentira e falsas expectativas criou, viveu, amou, viajou o mundo qual pensava ser perfeito. Ela era bela, ele era cego e não enxergava a traição, viveu, amou, chegaram ao sexo então. Engravidou, concebeu, tinha um menino em suas mãos. O dito pai feliz viverá durante anos em sua ilusão. Viveu, amou até que um dia deram-lhe uma carta em suas mãos. Leu, releu, chorou, berrou, releu, caiu, não acreditou, releu, releu e o triste fim fez-se ai então. Morreu.

Soube-se que a ele nada pertencia, filho, esposa e isso eram tudo o que ele queria. Sufocou-se o velho homem, não com panos, nem com as mãos, mais engasgou com tamanha agonia de saber que seu mundo era uma ilusão.


Contos do Bêbado Orador – Christoffer Pee. O vôo da meiga mentira - Por Dustin Maia.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Cena de Morte e Resgate

Eu nunca tive medo da morte, porém nunca esperei que ela chegasse em um momento de estupidez, pensei que seria heróico, deslumbrante, mas agora eu vejo que a morte não é bonita. Ao morrer deixamos solidão e prantos injetados nas pessoas que amamos, ao morrer nós deixamos o concreto para adentrar na incerteza, a incerteza do depois e do "por quê?". Era uma bela noite de quinta-feira, quando meus passos apressados encontraram a morte em meio à escuridão, cai na vala da sarjeta e sangrei chorando de aflição, perdi meus movimentos, recorri a meus lamentos, mas nada me fazia reagir. Em seguida, a visão turva, eu via pés borrados se aproximando, eu ouvi gritos ecoando e mais tarde podia ver luzes que de repente eram cabeças borradas a minha volta e um pouco mais a cima, haviam estrelas. Tudo escureceu e eu logo senti as batidas do meu coração acelerarem, como se forçadas por um fluxo que as conduzia como orquestra. 1, 2, 3. 1, 2, 3. Pude ver um clarão. 1, 2, 3. E então de novo a escuridão.

Contos do Bêbado Orador – Cena de Morte e Resgate - Por Dustin Maia.