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domingo, 1 de agosto de 2010

Tela "H" - Álcool, Prazer e Morte

Fui até a cozinha onde aproveitei para terminar o restante do Gim, observei cada detalhe do local e então localizei a arma do crime.

Andei lentamente até o quarto, observando com apreensão cada quadro que havia no corredor. Tão ridículos quanto a mentalidade da intitulada dona!

Ao chegar ao quarto escuro e abafado, você estava lá, atirada em sua cama, tranquilamente descansada de qualquer medo, de qualquer problema. Totalmente embriagada e despida. Estava debruçada em lençóis brancos, ao teu lado, uma mancha e a garrafa de Chateau Leoville emborcada sob o travesseiro.

Virei-a de barriga para cima, deixando a mostra toda beleza da parte frontal de seu corpo. A luz fraca do seu abajur adaptado do Séc. XVIII clareava teu rosto tenro e á fazia parecer... Mais... Bela, mais meiga.

Teu quadril parecia desenhado pelas mãos de um artista. Você naquela cama, naquela posição, parecia um quadro. Não os teus quadros do corredor. Mais um quadro lindo, digno de apreciação e suspiros diários!

Não podia mais me demorar, então, agarrei a faca com as duas mãos e levantei-a bem alto, como se fosse rasgar o teto. Em seguida desferi o golpe mortal! Uma apunhalada em meio ao ventre, ao teu ventre. E dali esvaio-se toda a vida contida naquela bela pintura, agora parecendo mais com cenas que eu imaginava ao ler contos policiais.

Já não se podia diferenciar a mancha de vinho da poça vermelha que se formou momentos depois. Apreciei por mais dois ou três minutos meu belo quadro de morte e então me pus a desfilar pelas ruas, carregando comigo meu “pincel prata”, que agora era de cor vermelho sangue.


No meu pensamento:


"... e, aliás, você não teria coragem de se desfazer de mim..."



Contos do Bêbado Orador - Tela "H" - Álcool, Prazer e Morte - Por Dustin Maia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Constância

Pensando nas datas anteriores reflito, sobre todas as coisas que me fazem te querer, é o olhar, é o tocar, o soprar, o gemer. Respiração irregular, a tua voz me faz tremer, teus beijos me põem em êxtase, meu corpo queima com o calor proporcionado pelas carícias trocadas entre nós. É o amor? É a paixão? É você! Mostra-se firme, disposta a me querer, a me roubar de onde eu estiver. Em nossas diferenças há também a igualdade que nos uni a cada dia mais, nas tuas cobranças eu me moldo fazendo-me novo e mais capaz. Alegro-me em ter-te para mim, alegro-me em dar-me para ti! E dessa troca exijo apenas que façamos sempre melhor, mais quente, até incinerar!

"Eu esqueço de tudo, eu me perco no mundo sem você. Lá fora eu não volto mais, pois meu lugar é ao lado teu!"

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Eu não preciso...

Eu não me importo em demonstrar, eu não preciso me importar, pois eu não tenho nada a esconder. Essa vontade de gritar e os motivos do querer, esta tudo estampado em minha cara quando olho pra você. E o mundo parece girar mais devagar, as horas parecem não passar, a cada momento em que me entrego a você, queimam-me, as chamas excitantes provocadas pelo contato do teu corpo com o meu, arde-me, até o profundo da alma os arrepios provocados por teus beijos e tua mão tão leve a acariciar-me o rosto. E quando foges dos meus braços dizendo que é perigoso, é nessa hora que encontro o que em nós dois é gracioso, essa constância prazerosa de pecado, de perigo, eis o que nos motiva a estarmos sempre escondidos, eis ai o que deixa esse amor mais divertido. E quando tu me tomas como dona e me castiga, é nessa hora que encontro em ti alguém apreensiva, aquele tipo de mocinha que leva sempre o cão consigo, com medo de que vá para longe e lá encontre melhor abrigo. Ah se o relógio realmente parasse para nós, viveríamos uma eternidade em uma constante alegria, até que o prazer se acabasse e tu me deixasses em uma noite fria. E mesmo que esse dia chegasse ainda na lembrança te traria, pois dos meus sonhos já faz parte, até mesmo à luz do dia.

...me importar.